A exposição prolongada ao sol exige cuidados durante todo o ano, especialmente em atividades ao ar livre, na praia, em piscinas, em eventos e no trabalho. O excesso de radiação ultravioleta pode provocar queimaduras, envelhecimento precoce da pele, lesões nos olhos, desidratação, insolação e aumentar o risco de câncer de pele.
Na Bahia, onde muitas atividades ocorrem em áreas abertas, a proteção contra o sol deve combinar diferentes medidas. Evitar os horários de maior intensidade da radiação, procurar sombra, usar roupas adequadas, proteger os olhos e aplicar filtro solar são atitudes que ajudam a reduzir os danos provocados pela exposição acumulada.
Evite o sol entre 10h e 16h
O período entre 10h e 16h concentra maior intensidade de radiação ultravioleta. Sempre que possível, atividades de lazer e trabalho devem ser organizadas fora desse intervalo. Quando a exposição for inevitável, é importante reduzir o tempo sob o sol e permanecer em áreas cobertas ou sombreadas.
A sombra de árvores, marquises, toldos, guarda-sóis e outras estruturas ajuda a diminuir a radiação recebida, mas não substitui completamente as demais formas de proteção. A luz pode ser refletida pela areia, pela água, por pisos claros e por outras superfícies, mantendo o risco mesmo quando a pessoa não está diretamente sob o sol.
Também é importante lembrar que os raios ultravioleta atravessam as nuvens. Por isso, o uso de proteção não deve ser abandonado em dias nublados ou com temperaturas mais amenas.
Use filtro solar corretamente
O filtro solar deve ser aplicado nas áreas expostas da pele antes da saída ao ar livre, seguindo as instruções do rótulo. O produto precisa ser espalhado de maneira uniforme no rosto, pescoço, orelhas, nuca, braços, mãos, pernas e pés, além de outras regiões que ficarão descobertas.
É recomendável escolher um produto que ofereça proteção contra os raios UVA e UVB e utilizar fator de proteção solar adequado ao tipo de pele e à atividade realizada. Em situações de exposição intensa, como praia, piscina, trilhas, prática esportiva ou trabalho sob o sol, o uso de produtos com FPS 30 ou superior é uma medida frequentemente adotada para ampliar a proteção.
O filtro solar não deve ser usado como autorização para permanecer mais tempo sob o sol. Ele é apenas uma parte da proteção e precisa ser combinado com sombra, roupas, chapéu e óculos escuros.
A reaplicação é necessária durante a exposição. O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer orientam reaplicar o produto, em geral, a cada duas horas e também depois de nadar, suar muito ou se secar com toalha. Mesmo os produtos resistentes à água podem perder parte da eficácia nessas situações.
O protetor labial com proteção solar também deve ser considerado, principalmente em atividades prolongadas ao ar livre. Pessoas com manchas, histórico de câncer de pele, pele muito clara, albinismo, vitiligo ou uso de medicamentos que aumentam a sensibilidade ao sol devem buscar orientação profissional sobre a proteção mais adequada.
Roupas, chapéus e óculos ajudam a proteger
Roupas que cubram braços e pernas reduzem a área da pele exposta. Para quem permanece muito tempo ao ar livre, camisas de manga longa, calças, tecidos mais fechados e peças com proteção contra radiação ultravioleta podem ser úteis. Roupas molhadas ou muito esticadas podem oferecer menor proteção do que quando estão secas e em condições normais de uso.
Chapéus e bonés ajudam a proteger a cabeça, mas os modelos de abas largas cobrem melhor o rosto, as orelhas e a nuca. O uso de óculos escuros com proteção contra raios ultravioleta também é importante para reduzir a exposição dos olhos.
Na praia ou em outros espaços abertos, guarda-sol, barraca e estruturas de sombra devem ser utilizados junto com roupas e filtro solar. A permanência sob um guarda-sol, isoladamente, não elimina a radiação refletida pelo entorno.
Cuidados para quem trabalha ao ar livre
Trabalhadores rurais, pescadores, vendedores, profissionais da construção civil, entregadores, agentes de trânsito, garis, ambulantes e outras pessoas que atuam sob exposição direta precisam de proteção durante toda a jornada.
Sempre que possível, as tarefas devem ser organizadas para reduzir a permanência no sol nos horários de maior intensidade. Pausas em locais cobertos, oferta de água e uso de vestimentas apropriadas são medidas importantes para diminuir o risco de problemas relacionados ao calor e à radiação solar.
O empregador também deve considerar a proteção contra o sol na organização do trabalho, especialmente quando a atividade ocorre de forma contínua em áreas abertas. A utilização de chapéu de aba larga, camisa de manga longa, calça, óculos de proteção e filtro solar pode ser necessária, conforme as características da função.
O filtro solar deve ser reaplicado ao longo do expediente, sobretudo quando houver suor intenso. O produto não substitui a necessidade de sombra, pausas e hidratação.
Proteção para crianças e adolescentes
Os cuidados devem começar na infância. Queimaduras e exposição repetida ao sol podem contribuir para danos acumulados ao longo da vida. Bebês e crianças pequenas exigem atenção especial e não devem permanecer por longos períodos sob o sol.
Para crianças, a proteção deve incluir sombra, roupas que cubram o corpo, chapéu e óculos apropriados. O uso de filtro solar deve seguir a faixa etária indicada pelo fabricante e a orientação de profissionais de saúde quando houver dúvida.
Em passeios, é importante programar os horários, levar água, evitar a permanência prolongada em áreas descobertas e observar sinais de desconforto, vermelhidão ou superaquecimento. A pele infantil pode sofrer queimaduras rapidamente, mesmo quando a temperatura do ambiente não parece muito alta.
Como evitar desidratação e insolação
A exposição prolongada ao sol também pode elevar a temperatura corporal e favorecer a desidratação. Beber água regularmente é importante, principalmente durante exercícios, deslocamentos, trabalho físico e permanência na praia ou na piscina.
Roupas leves, folgadas e de cores claras ajudam no conforto térmico. Bebidas alcoólicas devem ser evitadas em excesso, pois podem contribuir para a perda de líquidos. Também é recomendável fazer pausas frequentes em locais frescos ou sombreados.
Sinais como dor de cabeça, tontura, fraqueza, náusea, cansaço intenso, sede excessiva, pele muito quente e alteração do estado de consciência podem indicar um problema relacionado ao calor. Nesses casos, a pessoa deve ser retirada do sol, levada para um local ventilado e receber atendimento de saúde, especialmente quando os sintomas forem intensos ou não melhorarem.
Confusão mental, desmaio, convulsão, dificuldade para respirar ou piora rápida exigem atendimento de emergência. Enquanto o socorro não chega, não se deve deixar a pessoa sozinha.
O que fazer em caso de queimadura solar
A pele queimada pelo sol pode ficar vermelha, dolorida, quente e sensível. Em alguns casos, surgem bolhas. A recomendação é interromper a exposição, buscar um ambiente fresco e evitar novo contato direto com o sol até a recuperação.
Banhos frios ou mornos podem aliviar o desconforto. A pele não deve ser esfregada, e as bolhas não devem ser estouradas. Também não é indicado aplicar receitas caseiras, produtos irritantes ou medicamentos sem orientação profissional.
Queimaduras extensas, presença de bolhas numerosas, dor intensa, febre, vômitos, sinais de desidratação ou ocorrência em bebês e crianças pequenas exigem avaliação em um serviço de saúde.
Observe alterações na pele
O câncer de pele está relacionado principalmente à exposição excessiva e repetida à radiação solar. O risco pode ser maior em pessoas de pele clara, com olhos claros, histórico pessoal ou familiar da doença, exposição ocupacional ao sol ou queimaduras frequentes.
Qualquer pessoa pode desenvolver câncer de pele, inclusive pessoas negras. A maior quantidade de melanina oferece proteção relativa, mas não elimina o risco de queimaduras, lesões e tumores. Em pessoas negras, algumas lesões podem surgir com mais frequência em áreas menos expostas, como palmas das mãos, plantas dos pés e unhas.
É importante observar manchas, pintas ou feridas que mudam de tamanho, formato ou cor, coçam, sangram, descamam ou não cicatrizam. Alterações persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde. O diagnóstico não deve ser feito apenas pela aparência da lesão ou por informações encontradas na internet.
Proteção deve fazer parte da rotina
A proteção contra o sol não deve ficar restrita a férias, feriados ou dias de praia. Caminhadas, deslocamentos, atividades esportivas, trabalho e tarefas domésticas realizadas ao ar livre também podem resultar em exposição significativa.
Uma rotina segura combina planejamento de horários, busca por sombra, uso de roupas adequadas, proteção para olhos e cabeça, aplicação correta do filtro solar e hidratação. Esses cuidados são especialmente importantes em períodos de calor intenso, mas devem ser mantidos durante todo o ano.
Mais informações sobre prevenção do câncer de pele podem ser consultadas nas páginas do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer.








