quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Saúde

Calor na Bahia: crianças e idosos precisam de cuidados especiais nos dias mais quentes

Crianças e idosos são mais vulneráveis aos efeitos do calor intenso. Saiba como reforçar a hidratação, adaptar a rotina e reconhecer sinais que exigem atendimento médico na Bahia.

Os dias mais quentes exigem atenção redobrada com crianças e idosos. Esses grupos têm maior dificuldade para regular a temperatura do corpo e podem desenvolver desidratação, exaustão pelo calor e insolação com mais facilidade. Na Bahia, famílias e cuidadores devem adaptar a rotina durante os períodos de temperaturas elevadas, principalmente quando o calor vem acompanhado de baixa circulação de ar ou umidade reduzida.

As principais medidas são oferecer líquidos com frequência, manter os ambientes ventilados e frescos, evitar exposição direta ao sol nos horários mais quentes e observar mudanças no comportamento ou no estado geral. A orientação não substitui uma avaliação profissional, especialmente quando há doenças crônicas, uso contínuo de medicamentos ou sintomas intensos.

Por que crianças e idosos são mais vulneráveis

O organismo das crianças ainda está em desenvolvimento. Os menores podem não perceber ou comunicar adequadamente que estão com sede, além de dependerem dos adultos para receber líquidos, usar roupas adequadas e permanecer em locais protegidos. Crianças também podem continuar brincando mesmo quando já apresentam sinais de cansaço ou superaquecimento.

Nos idosos, a sensação de sede pode ser menor. Além disso, a quantidade de água no organismo e a capacidade de adaptação às mudanças de temperatura tendem a diminuir com o envelhecimento. Doenças cardíacas, respiratórias e renais também podem aumentar o risco de complicações. Alguns medicamentos, como diuréticos e determinados remédios para pressão, precisam de acompanhamento médico durante períodos de calor intenso.

Por isso, não se deve alterar, suspender ou reduzir medicamentos por conta própria. Qualquer ajuste deve ser feito pelo profissional que acompanha o paciente.

Hidratação deve ser oferecida ao longo do dia

A sede nem sempre aparece antes da desidratação. Crianças e idosos devem ser lembrados de beber líquidos em intervalos regulares, mesmo quando não pedem água. A quantidade adequada varia conforme idade, peso, alimentação, condições de saúde e orientação médica.

Para crianças que já consomem água, a oferta deve ser feita várias vezes ao dia. Também podem fazer parte da alimentação frutas e preparações leves, desde que sejam adequadas à idade e estejam bem higienizadas. Sucos industrializados, refrigerantes e bebidas com excesso de açúcar não substituem a água e devem ser evitados ou limitados.

Em idosos, é útil deixar uma garrafa ou copo de água em local acessível e estabelecer lembretes ao longo do dia. Pessoas com restrição de líquidos por causa de problemas cardíacos ou renais devem seguir a quantidade indicada pela equipe de saúde.

Para bebês com menos de seis meses em aleitamento materno exclusivo, o Ministério da Saúde recomenda não oferecer água, chás, sucos ou outros alimentos, mesmo em dias quentes. Nessa situação, o leite materno fornece os líquidos necessários, e a amamentação pode ser oferecida com maior frequência, em livre demanda. Em caso de dúvidas, a família deve procurar uma Unidade Básica de Saúde ou um profissional de saúde.

Como manter crianças e idosos protegidos dentro de casa

Durante o período mais quente do dia, é importante manter a pessoa em um ambiente arejado, protegido do sol e com circulação de ar. Cortinas ou persianas podem ajudar a reduzir a entrada de calor. Quando o ar externo estiver mais quente que o interno, abrir as janelas pode não refrescar o cômodo.

Ventiladores e aparelhos de ar-condicionado podem ser utilizados, desde que o ambiente não fique excessivamente frio e que os equipamentos estejam limpos. O fluxo de ar não deve ser direcionado continuamente para o rosto de bebês ou pessoas idosas.

Roupas leves, largas e de cores claras favorecem o conforto térmico. Tecidos que permitem a transpiração são preferíveis. Também é importante trocar roupas molhadas de suor e manter a pele limpa e seca para reduzir o risco de irritações e brotoejas.

Banhos frescos podem ajudar no conforto. No caso de bebês, a água deve estar em temperatura segura, sem mudanças bruscas ou uso de gelo. Crianças pequenas nunca devem ser deixadas sozinhas durante o banho ou perto de recipientes com água.

Cuidados durante passeios e atividades ao ar livre

Atividades ao ar livre devem ser planejadas para os horários de menor calor, como o início da manhã ou o fim da tarde. Mesmo nesses períodos, é necessário observar a temperatura, a exposição ao sol e a disponibilidade de sombra e água.

Nos horários mais quentes, a recomendação é evitar exercícios, brincadeiras intensas e longos deslocamentos sob o sol. Crianças e idosos devem permanecer na sombra sempre que possível, usando roupas leves, chapéu ou outro recurso de proteção física. O protetor solar deve ser utilizado de acordo com a idade e as orientações do rótulo ou de um profissional de saúde.

O carro merece atenção especial. Crianças, idosos ou qualquer outra pessoa não devem ser deixados sozinhos no interior de um veículo, mesmo por pouco tempo e com as janelas abertas. A temperatura dentro do automóvel pode subir rapidamente e provocar uma emergência.

Alimentação leve e prevenção de doenças

Em dias quentes, refeições menores e mais leves podem melhorar o conforto. Frutas, verduras, legumes e outros alimentos frescos devem ser preparados e armazenados com cuidado. O calor favorece a deterioração de alimentos, o que aumenta o risco de diarreia e vômitos — condições que também podem causar perda importante de líquidos.

É necessário lavar as mãos antes do preparo das refeições e manter os alimentos perecíveis refrigerados. Água usada para beber, preparar alimentos ou oferecer às crianças deve ser própria para o consumo.

Em caso de diarreia ou vômitos, a família não deve esperar o quadro se prolongar para buscar orientação, principalmente quando o paciente é bebê, criança pequena ou idoso. A equipe de saúde pode orientar a forma correta de hidratação e avaliar a necessidade de atendimento.

Sinais de desidratação e exaustão pelo calor

Alguns sintomas podem indicar que a pessoa está sofrendo com o calor ou perdeu mais líquidos do que conseguiu repor. Entre os sinais estão sede intensa, boca seca, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras, sonolência e redução da urina.

Em crianças, também merecem atenção a irritabilidade, o choro sem lágrimas, olhos fundos, recusa de líquidos, sonolência fora do habitual e fraldas menos molhadas. Em bebês, qualquer mudança importante no comportamento, na alimentação ou na quantidade de urina deve ser avaliada com cuidado.

Nos idosos, confusão mental, desmaio, fraqueza repentina, dificuldade para respirar, cansaço intenso e alteração do comportamento podem ser sinais de gravidade. A ausência de suor não deve ser considerada tranquilizadora, especialmente quando a pele está muito quente e a pessoa apresenta alteração da consciência.

Quando procurar atendimento médico

O atendimento deve ser procurado imediatamente diante de confusão mental, desmaio, convulsão, dificuldade para respirar, fraqueza intensa, pele muito quente, temperatura corporal elevada ou piora rápida dos sintomas. Esses sinais podem indicar insolação, uma condição grave que exige atendimento de urgência.

Enquanto o socorro não chega, leve a pessoa para um local fresco, ventilado e protegido do sol. Retire o excesso de roupas e aplique compressas frias ou borrife água fresca na pele. Se estiver consciente e conseguir engolir, pode receber líquidos não alcoólicos. Não ofereça líquidos a uma pessoa desacordada, confusa ou com dificuldade para engolir.

Em situações de emergência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pode ser acionado pelo número 192. A orientação oficial do Ministério da Saúde sobre insolação reforça que o atendimento deve ser rápido, pois o calor extremo pode comprometer órgãos como cérebro, coração e rins.

Cuidados adicionais para quem tem doenças crônicas

Pessoas com hipertensão, diabetes, doenças cardíacas, respiratórias ou renais devem manter o acompanhamento de saúde durante períodos quentes. O calor pode agravar sintomas e aumentar a sobrecarga do organismo, principalmente quando há esforço físico, desidratação ou exposição prolongada ao sol.

Familiares e cuidadores devem verificar se o idoso está se alimentando e bebendo líquidos conforme a orientação recebida. Também é importante observar se há mudanças na rotina, esquecimento, confusão ou dificuldade para realizar atividades habituais.

O Ministério da Saúde recomenda hidratação frequente, roupas leves, alimentação equilibrada e planejamento das atividades para os horários menos quentes. As orientações devem ser adaptadas à condição de cada pessoa.

Checklist para os dias mais quentes

  • Oferecer água ou outros líquidos adequados em intervalos regulares, respeitando restrições médicas.
  • Manter crianças e idosos em locais frescos, ventilados e protegidos do sol.
  • Usar roupas leves, largas e de cores claras.
  • Evitar exercícios e brincadeiras intensas nos horários de maior calor.
  • Preferir refeições leves e manter os alimentos bem refrigerados.
  • Observar urina reduzida, fraqueza, tontura, sonolência, irritabilidade ou confusão.
  • Nunca deixar crianças, idosos ou qualquer pessoa sozinha dentro de veículos.
  • Buscar atendimento diante de desmaio, convulsão, falta de ar, confusão mental ou piora rápida.

Com planejamento e observação diária, é possível reduzir os riscos do calor para os grupos mais vulneráveis. Em caso de dúvida sobre hidratação, medicamentos ou sintomas, a orientação mais segura é procurar a Unidade Básica de Saúde ou um serviço de urgência.