quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Saúde

Chikungunya e Zika também exigem medidas de prevenção na Bahia

Chikungunya e Zika são transmitidas principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, que também transmite dengue. Na Bahia, a prevenção depende da eliminação de criadouros, do uso adequado de repelentes e da atenção especial às gestantes e pessoas com sintomas.

A prevenção contra chikungunya e Zika exige cuidados permanentes, inclusive fora dos períodos de maior circulação de dengue. As duas doenças são transmitidas principalmente pela picada da fêmea infectada do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em recipientes com água acumulada dentro e no entorno das residências.

Na Bahia, assim como em outras regiões do país, a população pode contribuir para reduzir o risco de transmissão com medidas simples: eliminar água parada, manter reservatórios tampados, proteger o corpo contra picadas e procurar uma unidade de saúde diante de sintomas. O controle do mosquito depende da participação dos moradores, dos serviços públicos e de ações realizadas em escolas, locais de trabalho e áreas comunitárias.

Por que chikungunya e Zika exigem atenção

Chikungunya e Zika fazem parte do grupo das arboviroses, doenças causadas por vírus transmitidos por artrópodes, como os mosquitos. Segundo o Ministério da Saúde, o Aedes aegypti é o principal vetor urbano dessas doenças no Brasil. O mosquito costuma viver dentro ou próximo das casas e pode se desenvolver em pequenos recipientes que passam despercebidos durante a limpeza.

A chikungunya costuma provocar febre de início súbito e dor intensa nas articulações, que pode persistir por mais tempo em parte dos pacientes. Também podem ocorrer dor muscular, dor de cabeça e manchas na pele. Já a infecção pelo vírus Zika frequentemente está associada a manchas avermelhadas com coceira, febre baixa ou ausência de febre, olhos avermelhados e dores nas articulações.

Os sintomas podem se confundir com os de outras arboviroses. Por isso, não é recomendável tentar confirmar a doença apenas pela observação dos sinais. A avaliação profissional é importante, especialmente no caso de gestantes, crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas.

O principal cuidado é eliminar criadouros

A medida mais eficaz para reduzir a presença do Aedes aegypti é impedir que o mosquito encontre água acumulada para colocar seus ovos. A orientação do Ministério da Saúde é fazer vistorias frequentes em casa e no trabalho, dedicando alguns minutos para identificar recipientes que possam acumular água.

  • Esfregue e lave com água e sabão os recipientes usados para armazenar água.
  • Mantenha caixas-d’água, tonéis, tambores e outros reservatórios completamente tampados.
  • Guarde garrafas, potes e baldes de cabeça para baixo ou em local protegido da chuva.
  • Elimine água acumulada em pratos de plantas ou preencha esses espaços com areia.
  • Descarte pneus, latas, copos, embalagens e outros objetos sem utilidade em locais adequados.
  • Limpe calhas, ralos, lajes e áreas externas que possam reter água.
  • Mantenha piscinas tratadas e cobertas quando não estiverem em uso.
  • Verifique bandejas de geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e bebedouros de animais.

A vistoria deve incluir quintais, garagens, terrenos, varandas e áreas comuns de condomínios. O cuidado precisa ser repetido mesmo quando não há casos conhecidos na vizinhança. Os ovos do mosquito podem permanecer no ambiente seco por longo período e voltar a eclodir quando entram em contato com a água.

Como se proteger das picadas

A eliminação de criadouros deve ser combinada com medidas de proteção individual. O Ministério da Saúde recomenda o uso de roupas que cubram a maior parte do corpo, como calças compridas e camisas de mangas longas, principalmente em áreas com presença de mosquitos.

Repelentes à base de icaridina, DEET ou IR3535 podem ser usados nas áreas expostas da pele, desde que o produto tenha registro e as instruções do fabricante sejam respeitadas. É necessário observar a faixa etária indicada, o intervalo entre as aplicações e a quantidade recomendada. O repelente não deve ser aplicado sobre pele irritada, feridas ou mucosas.

Em crianças pequenas, o uso exige atenção especial. Para menores de 2 anos, o Ministério da Saúde orienta que o repelente não seja utilizado sem recomendação médica. Entre 2 e 12 anos, devem ser observadas as concentrações permitidas e o limite diário de aplicações indicado para o produto.

Mosquiteiros, telas em portas e janelas e ambientes protegidos também ajudam a reduzir o contato com o mosquito. Como o Aedes aegypti costuma ter atividade durante o dia, a proteção não deve ficar restrita ao período noturno.

Cuidados específicos para gestantes

A prevenção da infecção pelo vírus Zika merece atenção especial durante a gravidez. A transmissão pode ocorrer da gestante para o feto e está associada à síndrome congênita relacionada à infecção pelo vírus Zika. Por isso, grávidas devem reforçar o combate aos criadouros e a proteção contra picadas.

O Ministério da Saúde orienta o uso de repelentes registrados, roupas compridas, telas, mosquiteiros e outras barreiras físicas. A recomendação é seguir as instruções do rótulo e informar ao profissional de saúde sobre a gestação antes de utilizar qualquer produto.

O vírus Zika também pode ser transmitido por via sexual. O uso de preservativos é uma medida de prevenção, especialmente durante a gestação ou quando houver suspeita ou confirmação de infecção. A pessoa que apresentar sintomas deve procurar orientação em um serviço de saúde para receber recomendações individualizadas.

O que fazer diante de sintomas

Febre, manchas na pele, coceira, olhos avermelhados, dor no corpo, dor de cabeça e dor ou inchaço nas articulações podem ocorrer em casos de Zika ou chikungunya, mas também aparecem em outras infecções. A presença desses sinais não permite confirmar a causa sem avaliação clínica.

Ao apresentar sintomas, a pessoa deve procurar uma unidade básica de saúde ou outro serviço indicado pela rede municipal. O atendimento ajuda a orientar o acompanhamento, avaliar a necessidade de exames e identificar sinais de gravidade. Gestantes, bebês, idosos e pessoas com doenças preexistentes devem ter atenção redobrada.

Durante o período de sintomas, também é importante evitar novas picadas. Se o mosquito picar uma pessoa infectada, poderá adquirir o vírus e transmiti-lo a outras pessoas. Por isso, o uso de repelente, roupas protetoras, telas e mosquiteiros ajuda a interromper a cadeia de transmissão.

Não se deve tomar medicamentos por conta própria, especialmente remédios que possam aumentar o risco de sangramento quando ainda não há diagnóstico definido. A escolha do tratamento deve ser feita por um profissional de saúde, considerando os sintomas e as condições clínicas do paciente.

Como agir em casa, na escola e no trabalho

O controle do Aedes aegypti não depende apenas de uma limpeza anual ou de ações realizadas quando aparecem casos. A recomendação é incorporar a inspeção à rotina. Moradores podem estabelecer um dia da semana para verificar recipientes, ralos, calhas e reservatórios.

Em condomínios, escolas, empresas e espaços públicos, a vistoria deve alcançar áreas de uso coletivo, depósitos, jardins, estacionamentos e locais onde são armazenados materiais. Qualquer recipiente que acumule água precisa ser eliminado, esvaziado, lavado ou mantido protegido.

Quando houver terrenos abandonados, imóveis fechados ou locais que possam favorecer a formação de criadouros, o morador pode comunicar o problema à prefeitura ou à secretaria municipal de saúde. Os canais variam de acordo com cada cidade da Bahia. Por isso, é importante consultar os meios oficiais do município onde o problema foi identificado.

Prevenção depende de ação contínua

Chikungunya e Zika não devem ser lembradas apenas quando há aumento de casos. A redução do risco depende de medidas mantidas durante todo o ano, principalmente porque o mosquito pode se reproduzir em pequenas quantidades de água acumulada.

A orientação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia é que a população conheça os sinais das arboviroses e participe das ações de vigilância e controle. A eliminação de criadouros, a proteção contra picadas e a busca por atendimento são medidas complementares.

Em caso de dúvida, a pessoa deve procurar a rede pública ou privada de saúde e informar os sintomas, a data de início e possíveis situações de exposição ao mosquito. A prevenção contra chikungunya e Zika começa dentro de casa, mas depende também do cuidado coletivo em toda a comunidade.