quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Mercado de Trabalho

Proteção no pós-licença alcançaria cargo, função e jornada, mas depende de aval do Congresso

O Projeto de Lei 2307/2026 prevê entrevista de alinhamento no retorno ao trabalho após a licença-maternidade e busca preservar o cargo, a função e a jornada da trabalhadora. A proposta ainda tramita na Câmara dos Deputados.
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O retorno ao trabalho após a licença-maternidade poderá incluir uma etapa formal de alinhamento entre a empregada e a empresa, caso avance o Projeto de Lei 2307/2026. Apresentado pela deputada Denise Pessôa (PT-RS), o texto está em análise na Câmara dos Deputados e ainda não está em vigor.

A proposta estabelece medidas de acolhimento para trabalhadoras que voltarem da licença em empresas com 20 ou mais funcionários. Entre as regras previstas está a realização de, no mínimo, uma entrevista de alinhamento no momento da retomada das atividades.

Entrevista deverá tratar das atividades e das mudanças na empresa

De acordo com o projeto, a reunião terá duas finalidades principais: definir as atividades que serão desempenhadas pela trabalhadora e comunicar alterações ocorridas na empresa durante o período de afastamento.

A medida alcançaria situações em que a organização tenha passado por mudanças enquanto a empregada estava licenciada. O texto prevê que essas informações sejam apresentadas no retorno, dentro do procedimento de alinhamento proposto.

O projeto também trata das condições de trabalho que deveriam ser preservadas depois da licença. A empresa deverá manter o cargo, a função e a jornada anteriores ao afastamento, conforme a redação apresentada à Câmara.

Alterações teriam três possibilidades previstas

O texto admite mudanças nessas condições em três situações: quando houver recomendação médica, por pedido expresso da trabalhadora ou mediante negociação coletiva.

Assim, a proposta estabelece que a alteração do cargo, da função ou da jornada não ocorra fora dessas hipóteses. A regra está relacionada à preservação das condições existentes antes do início da licença-maternidade.

Além das medidas específicas para o retorno, o projeto prevê incluir expressamente a maternidade entre os motivos de discriminação proibidos pela legislação trabalhista.

Justificativa menciona estabilidade provisória

Na justificativa apresentada à Câmara, Denise Pessôa afirma que a estabilidade provisória de cinco meses após o parto não seria suficiente para garantir a permanência das mães no emprego.

Segundo a argumentação da deputada, o projeto busca ampliar a proteção no período de retorno ao trabalho e estabelecer medidas voltadas à continuidade da relação profissional após a licença-maternidade.

A proposta, portanto, reúne regras sobre a retomada das atividades, a comunicação de mudanças ocorridas durante o afastamento e a manutenção das condições de trabalho anteriores à licença.

Proposta ainda passará por comissões

O PL 2307/2026 aguarda a designação de relator na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados. Depois dessa etapa, deverá ser analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O texto ainda precisará cumprir a tramitação no Congresso Nacional para que possa se tornar lei. Até a conclusão desse processo, as medidas previstas no projeto não produzem efeitos e não alteram as regras atualmente aplicáveis ao retorno da licença-maternidade.

Com informações da Agência Câmara de Notícias.