quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Saúde

Saúde da mulher: acompanhamento preventivo deve fazer parte da rotina na Bahia

O acompanhamento preventivo da saúde da mulher não deve ocorrer apenas quando surgem sintomas. Consultas na unidade básica de saúde ajudam a manter exames, vacinas e cuidados em dia, além de oferecer orientação sobre planejamento reprodutivo, pré-natal, saúde mental e prevenção de infecções.

O acompanhamento preventivo da saúde da mulher deve fazer parte da rotina em todas as fases da vida, mesmo quando não há sintomas. Consultas periódicas na atenção primária ajudam a atualizar vacinas, avaliar fatores de risco, orientar sobre saúde sexual e reprodutiva e identificar alterações que podem ser tratadas mais cedo.

Na Bahia, assim como em outras regiões do país, a porta de entrada preferencial para esses cuidados é a Unidade Básica de Saúde (UBS). O atendimento pode envolver profissionais de enfermagem, medicina, agentes comunitários de saúde e outras áreas, de acordo com a necessidade de cada pessoa. O Ministério da Saúde orienta que a atenção integral considere não apenas a saúde ginecológica, mas também prevenção de doenças, planejamento reprodutivo, gestação, puerpério, saúde mental e enfrentamento da violência.

Por que não é preciso esperar aparecer um sintoma

Algumas doenças podem evoluir durante muito tempo sem sinais claros. O acompanhamento preventivo permite avaliar a história de saúde, os hábitos de vida, o uso de medicamentos, a pressão arterial, o peso, a vacinação e a necessidade de exames específicos.

A consulta também é uma oportunidade para falar sobre situações que nem sempre são abordadas espontaneamente, como dor durante a relação sexual, alterações menstruais, sintomas de ansiedade ou depressão, violência, dificuldade para engravidar, efeitos de métodos contraceptivos e dúvidas sobre infecções sexualmente transmissíveis.

O cuidado deve ser individualizado. Idade, histórico familiar, presença de doenças crônicas, uso de hormônios, gestação, menopausa e outros fatores podem mudar a indicação de exames e a frequência das consultas. Por isso, não é recomendado realizar exames por conta própria ou seguir calendários genéricos sem avaliação profissional.

Exame preventivo do colo do útero

O exame preventivo, conhecido como Papanicolau, é utilizado para identificar alterações no colo do útero antes que elas evoluam para um câncer. O principal fator relacionado à doença é a infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano, o HPV.

De acordo com as orientações tradicionais divulgadas pelo Ministério da Saúde, mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual devem realizar o rastreamento periodicamente. No modelo baseado no exame citopatológico, a orientação é fazer o primeiro exame anual e, depois de dois resultados negativos consecutivos, repetir a cada três anos. A recomendação pode ser ajustada conforme o histórico clínico e a avaliação da equipe de saúde.

As diretrizes brasileiras atualizadas também passaram a incorporar o teste molecular para detecção do DNA-HPV como método primário de rastreamento, com implantação progressiva na rede pública. Assim, o tipo de exame e o intervalo entre as avaliações podem variar conforme a organização do serviço. A mulher deve seguir a orientação da unidade onde é atendida e buscar o resultado do exame.

Mesmo quem recebeu a vacina contra o HPV precisa manter o rastreamento na faixa etária indicada, porque a vacina não protege contra todos os tipos do vírus. A imunização e o exame preventivo são medidas complementares. A vacinação está disponível na rede pública conforme o Calendário Nacional de Vacinação.

Corrimento persistente, sangramento fora do período menstrual, sangramento após a relação sexual, dor pélvica, feridas ou verrugas na região genital devem ser avaliados por um profissional. Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas não devem ser ignorados.

Mamografia e atenção às mamas

A mulher também deve conhecer o próprio corpo e procurar atendimento ao perceber alterações nas mamas. Caroço persistente, mudança no formato ou na pele, retração do mamilo, saída espontânea de líquido com sangue e ferida que não cicatriza são sinais que exigem avaliação.

É importante diferenciar atenção aos sinais de rastreamento. A mamografia de rastreamento é feita em pessoas sem sintomas, com o objetivo de identificar alterações precoces. Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde passou a orientar, no SUS, o rastreamento populacional de rotina para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos, conforme informação divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer.

Mulheres fora dessa faixa etária também podem ter indicação de mamografia, principalmente quando há sintomas, histórico familiar relevante ou outros fatores de risco. Nesses casos, a decisão deve ser tomada com orientação profissional. O SUS informa que mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 anos podem realizar o exame de rastreamento por demanda, desde que sejam orientadas sobre benefícios e possíveis riscos.

O acompanhamento clínico continua importante mesmo quando a mamografia está em dia. Exames de rastreamento não substituem a investigação de sintomas. Se houver uma alteração suspeita, a recomendação é procurar a unidade de saúde sem esperar a data do próximo exame.

Vacinação e prevenção de infecções

Manter a vacinação atualizada é uma das formas mais simples de prevenção. O cartão ou a caderneta de vacinação deve ser levado às consultas para que a equipe verifique doses pendentes e indique as vacinas apropriadas para a idade, condições de saúde, profissão, viagens e gestação.

Entre os cuidados relacionados à saúde da mulher está a vacinação contra o HPV, indicada para os grupos definidos pelo Programa Nacional de Imunizações. Também podem ser necessárias vacinas contra gripe, covid-19, hepatite B, difteria e tétano, entre outras, de acordo com o calendário vigente e a avaliação individual.

O uso de preservativos continua sendo recomendado para reduzir o risco de infecções sexualmente transmissíveis. A camisinha não elimina completamente o risco de HPV, porque o vírus pode ser transmitido pelo contato com áreas da pele que não ficam cobertas, mas ajuda a diminuir a possibilidade de transmissão. Testagem e tratamento também devem ser procurados quando houver exposição de risco ou sintomas.

Planejamento reprodutivo e saúde sexual

O planejamento reprodutivo permite que cada pessoa decida se deseja ter filhos, quando e quantos. Na UBS, a mulher pode receber informações sobre métodos contraceptivos, eficácia, efeitos adversos, contraindicações e possibilidade de troca do método.

A escolha deve considerar preferências, condições de saúde e projeto de vida. Nenhum método deve ser iniciado, interrompido ou trocado sem orientação adequada quando houver necessidade de avaliação clínica. A consulta também pode abordar infertilidade, prevenção de infecções, sexualidade, consentimento e cuidados antes de uma gravidez.

A saúde sexual inclui o direito a atendimento sem discriminação, com privacidade e respeito. Mulheres lésbicas, bissexuais, transexuais e pessoas não binárias que necessitam de cuidados ginecológicos também devem ter acesso ao acompanhamento adequado, conforme suas necessidades de saúde.

Pré-natal deve começar cedo

Ao descobrir ou suspeitar de uma gravidez, a mulher deve procurar a unidade de saúde o mais rápido possível. O Ministério da Saúde recomenda que o pré-natal seja iniciado preferencialmente até a 12ª semana de gestação.

As consultas permitem acompanhar o desenvolvimento da gestação, identificar fatores de risco, solicitar exames, atualizar a vacinação e orientar sobre alimentação, sinais de alerta, parto, amamentação e pós-parto. No acompanhamento de risco habitual, a orientação geral é de consultas mensais até a 28ª semana, quinzenais entre a 28ª e a 36ª semana e semanais da 36ª semana até o parto, conforme o Ministério da Saúde.

A gestação de alto risco exige avaliação diferenciada, mas não elimina a participação da atenção primária. A equipe do território acompanha a mulher e articula o atendimento com os serviços especializados quando necessário.

Cuidados depois do parto e na menopausa

O acompanhamento não termina com o nascimento do bebê. O puerpério é uma fase que exige atenção à recuperação física, à amamentação, ao planejamento reprodutivo, ao sono e à saúde mental. Tristeza intensa, falta de interesse pelas atividades, ansiedade incapacitante ou pensamentos de causar dano a si mesma ou ao bebê precisam de atendimento imediato.

Na menopausa, a consulta pode ajudar a avaliar sintomas como ondas de calor, alterações do sono, secura vaginal e mudanças de humor. Também é uma oportunidade para acompanhar pressão arterial, diabetes, colesterol, saúde óssea, peso e risco cardiovascular. A indicação de terapia hormonal, quando considerada, depende de avaliação individual dos benefícios e riscos.

Como organizar o acompanhamento preventivo

  • Procure a UBS de referência e informe doenças anteriores, cirurgias, alergias e medicamentos em uso.
  • Leve documento de identificação, cartão do SUS, caderneta ou cartão de vacinação e resultados de exames anteriores, quando disponíveis.
  • Anote dúvidas e sintomas, incluindo data de início, frequência e intensidade.
  • Confirme como será o acesso ao resultado de cada exame e qual conduta deve ser adotada.
  • Não interrompa o acompanhamento após um resultado normal; a prevenção depende da continuidade.
  • Procure atendimento antes da consulta programada se aparecer sangramento anormal, dor intensa, febre, ferida, caroço persistente ou outro sinal preocupante.

O acompanhamento preventivo deve acompanhar as mudanças do corpo e as necessidades de cada fase da vida. A unidade básica de saúde pode orientar quais cuidados são indicados, encaminhar para outros serviços quando necessário e ajudar a manter uma rotina de prevenção segura e adequada.